Músicos da banda ANIE falam sobre estereótipos e preconceito com rockeiros

Os músicos da banda ANIE, Junior Carelli (teclados e vocal) e Fernando Quesada (violão e vocal), revelam que já sofreram e ainda passam por situações preconceituosas por seus estereótipos de rockeiros.

"O rockeiro sempre ter essa cara de mal por mais que seja historicamente comprovado que os shows de rock são onde menos acontecem incidentes e coisas de distúrbio de ordem, e por isso onde menos a polícia se preocupa. Tudo isso por causa da linguagem, do que se fala, de como se veste, das roupas com couro, das correntes pelo corpo, do cabelão, das tatuagens para todo lado... Acaba sendo agressivo para quem não faz parte desse meio e principalmente quando envolve às vezes a galera da religião. Muitos acham que rock é do demônio e coisa parecida, então existe sim o preconceito", conta Junior Carelli.

"Muitas pessoas se assustam às vezes quando encontram com a gente que não trabalha só com música. Cuidamos de algumas empresas e escolas, e as pessoas olham para o nosso visual no primeiro contato e têm uma resistência em achar que inclusive somos profissionais responsáveis porque temos um visual diferente. Onde mais se sente esse tipo de preconceito é quando você está com pessoas que não fazem parte de um mundo específico. Fazemos parte do nicho do rock e dentro do nicho do rock existem algumas vertentes e todas elas se conversam com essa identidade visual. Então nesse meio não tem muito disso, mas se você reparar o pagode e o sertanejo também bebem dessa fonte. Se você olhar como o rockeiro se vestia nos anos 80 e como se veste hoje e como o pagode se vestia nos anos 80 e como se veste hoje, todos usam a tendência da moda do rock. Se você pegar as lojas que usam caveiras, têm um visual rock e um visual grunge, e xadrez pra caraca, isso sempre veio da escola do rock e é uma das coisas que adotamos. Somos do heavy metal e do grunge, então quando a gente se veste é nessa mistura de usar um pouco do grunge e um pouco heavy metal. Os cabelos compridos, a barba, as tatuagens... Um bom parâmetro para falarmos que preconceito existe é o impacto visual. Depois que temos dois minutos de conversa com qualquer pessoa esse preconceito cai por terra", completa Fernando Quesada.

"Uma das coisas que a globalização e a internet trouxe é o fato do rock acabar sendo até uma referência visual e as pessoas de outros estilos aderirem à certos aspectos do rock para as suas culturas. Isso acabou popularizando de uma forma com que o preconceito também fosse diminuindo, mas estamos num momento conservador do mundo. Tanto a religião quanto algumas politicagens acabam fazendo com que essa ideia do preconceito ainda exista e acho que não só dentro do visual do rock como em outras áreas. A mulher já sofre preconceito para algumas coisas, imagina uma mulher que adota o estilo do rock visualmente. Acaba potencializando mais ainda esse preconceito e é uma das coisas que a gente combate. O seu estilo conversa com sua personalidade, mas você precisa conhecer a personalidade da pessoa para entender o que está falando. Às vezes a pessoa é um grande empresário, um grande músico e você não está sabendo distinguir isso porque está tapado com olhar do preconceito. Outro ponto é que a música sempre esteve alinhada à moda e a moda alinhada à música. É difícil você não olhar uma pessoa e saber que estilo que curte de música porque o visual acaba entregando. Acredito que faz parte o fato de estar inserido num grupo você ter uma identidade visual que converse com esse grupo. Isso é saudável para uma sociedade e como toda sociedade, principalmente as democráticas, vai existir resistência. Você nunca vai agradar gregos e troianos e você não precisa ter essa preocupação porque as pessoas nunca vão estar satisfeitas com tudo", conclui Junior Carelli.

Com violões de 12 cordas, piano e duas vozes, a ANIE aposta em um estilo 100% acústico e ao mesmo tempo tenso, com influências do rock alternativo além do próprio pop e baladas de rock. Como a dupla é considerada referência em seus instrumentos (considerados entre os top 5 do Brasil dentro do rock pelos principais meios de comunicação do estilo), a complexidade e bom gosto nos arranjos não poderiam nunca ficar de fora do projeto e das composições. Junior Carelli e Fernando Quesada fazem versões de diversas bandas, além de músicas originais.

O nome ANIE significa Acoustic Natural Intense Experience, mas também possui um sentido mais importante: "ANIE tem duplo sentido. Primeiro, em nossa última turnê na Europa, conhecemos uma figura na Espanha que fez pensarmos muito sobre a vida. Essa mulher se chama Anie. Ela era a primeira pessoa da fila em nosso show em Madri, na Espanha, e estava sentada desde às duas horas da tarde para um show às 11 da noite na frente do bar com um sorriso estampado no rosto. Não parecia uma pessoa com uma boa situação financeira. Exagerada na maquiagem e com roupas aparentemente velhas, olhou para nós e disse que estava muito feliz em simplesmente estar lá. Quando perguntamos se ela ia de pista no show, ela disse que não tinha ingresso. A partir daí a conversa foi longe. Ela contou que vive a vida baseada nas oportunidades que se abrem naturalmente para ela. Que se o destino fez ela chegar até a porta do show, talvez ela conseguiria entrar e viver mais aquele momento da vida cantando conforme a música a levasse. Era uma das pessoas mais esclarecedoras e apaixonadas pela vida que já conhecemos", conta Juninho Carelli.

Em menos de 6 meses de atividade a banda ANIE já lançou mais de 20 videoclipes. Confira no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCSk--fh5qO6Y0elYePK8UMg/videos

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