Clarice Falcão expõe que trata de temas como depressão

Clarice FalcãoClarice Falcão (Foto: Reprodução da Internet)

Aos 29 anos, Clarice Falcão chega ao terceiro disco da carreira, “Tem Conserto”, que acaba de ser lançado, e talvez esse seja o trabalho em que ela mais tenha se exposto. É um disco muito pessoal, intimista, introspectivo, em que a cantora e compositora revela suas fragilidades, seus anseios, sua psique. Ao longo de nove faixas autorais, Clarice traça uma narrativa inspirada nas próprias experiências com ansiedade e depressão. E, pela primeira vez, como ela mesma diz, sem usar o artifício do humor, tão enraizado em seus álbuns anteriores e também em seus trabalhos como atriz.

“Acho que existem alguns assuntos que a gente demora um pouco para organizar na cabeça. Comecei a compor e vi que estava indo para o mesmo assunto”, diz Clarice, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, por telefone, do Rio. “Ansiedade, depressão, fiquei com vontade de falar sobre isso.” Sua primeira crise ocorreu quando ela tinha 16, 17 anos. “Isso vem de família, de gerações”, aponta. Quando isso a atingiu também, foi uma tragédia, mas a família já tinha experiência e sabia bem como lhe dar suporte. “Vamos dar um jeito, levar para terapia, psiquiatra”, diziam a ela.

Clarice nunca falou tão abertamente sobre o assunto:

“Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8.º andar/ Onde a dona Maria mora, porque ela me adora e eu sempre posso entrar”, diz no começo da letra. “Nela, o eu lírico é um pouco desequilibrado, mas não tão obviamente. Eu fazia com mais humor”, explica Clarice.

Para ela, a proximidade dos 30 anos, que serão completados em outubro, tem uma parcela importante em como as coisas se encaminharam para esse novo trabalho. “Estou com 29 anos, comecei a compor com 28 para esse disco. Quando você se aproxima dos 30, tem entendimento que não tinha antes. Talvez também uma coragem de me expor. Nos outros discos, eu me protegia atrás do humor, do exagero, e agora tenho de ser a mais honesta possível.”

Com produção de Lucas de Paiva, “Tem Conserto” carrega pequenas histórias dentro do trabalho, como define Clarice. “Eu queria fazer um disco que tivesse esses polos.” O álbum começa com Minha Cabeça, que desencadeia versos angustiantes. “Minha cabeça repete/ As mesmas coisas/Repete as mesmas coisas/Até não ter mais coisa”, canta ela, melancólica, em um trecho. Mal Pra Saúde muda a frequência das coisas, numa embalagem sonora mais oitentista, meio à la New Order – apesar de falar de um amor que não faz bem para a saúde: “Não sou só eu que tô falando/ De dez especialistas acho que nenhum te recomendaria”.

As canções “Morrer Tanto” e “Esvaziou” voltam a ganhar um tom mais triste, em que ela fala de depressão – e de quem consegue seguir em frente e de quem deixou um vazio após partir. É o tema também de Horizontalmente, só que aqui o “Hoje eu não saio dessa cama nem a pau” da letra vai no caminho oposto da sonoridade de pista da canção. Dia D também carrega esse clima dançante. E, depois das faixas CDJ e Só + 6, a faixa-título Tem Conserto, última que Clarice compôs – e que, não por acaso, fecha o disco -, leva para um lugar mais esperançoso: “Tô quebrada mas tem conserto/Não parece mas tem conserto/Tô capenga mas tem conserto/Tá difícil mas tem conserto”.

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