O colorismo vivido por Fabiana Cozza

O colorismo ou a pigmentocracia é a discriminação pela cor da pele, e é muito comum em países que sofreram a colonização europeia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer. Ao contrário do racismo, que se orienta na identificação do sujeito como pertencente a certa raça para poder exercer a discriminação, o colorismo se orienta somente na cor da pele da pessoa. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a sociedade dará a ela.

Depois de receber fortes críticas de que não teria a pele suficientemente escura para interpretar a homenageada, a cantora Fabiana Cozza declinou no domingo do convite que havia recebido na semana passada, com apoio da própria família de Ivone Lara. "Renuncio por ter dormido negra numa terça-feira e numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar 'branca' aos olhos de tantos irmãos", escreveu na carta em que comunicou a decisão.

Filha de pai negro, Oswaldo dos Santos, puxador de samba da escola paulista Camisa Verde e Branco, e de mãe branca, Fabiana tem longa trajetória como intérprete de samba, experiência com teatro e uma amizade de mais de duas décadas com Ivone Lara, cujas músicas já gravou e cantou diversas vezes. Segunda a família, a sambista manifestou ainda em vida o desejo de que ela a interpretasse no espetáculo.

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